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SecretariasBenzimentos e Rezas
É bom esclarecer que os benzimentos aqui relacionados eram usados numa época em que não existiam muitos médicos na região. As pessoas moravam em sítios ou em locais muito distantes dos centros onde existiam farmácias e hospitais e desenvolviam a fé no uso de determinadas rezas e simpatias que podiam ou não funcionar.
CURA COM BARATA: (Publicado na Imprensa Oficial - 03/04/2008)
ESTRANHA PROTEÇÃO: (Publicado na Imprensa Oficial - 23/02/2008)
SANTA LUZIA: (Publicado na Imprensa Oficial - 14/02/2008)
NOSSA SENHORA DA DEFESA: A cidade de Cortina D´Ampezzo fica em Belluno, nordeste da Itália, tem uma localização estratégica e sempre foi alvo de invasões bárbaras e conflitos políticos. No ano de 572, os lombardos tentaram invadir seus vizinhos ampezzanos. O povo atacado se reuniu e rezou fervorosamente, pedindo ajuda de Nossa Senhora, e em seguida prepararam-se para defender sua cidade. Ao perceberem que a invasão era inevitável, invocaram o nome da Virgem Maria e ela apareceu sobre as nuvens, com uma espada na mão. Quando os inimigos tentaram entrar na cidade, ela os confundiu com as nuvens, que lhes impediu a visão. Dessa forma, o exército invasor lutou entre si até a derrota. No século XIV, na cidade, já existia uma capela dedicada a ela. Em 1412 ocorreu outro incidente: o exército dos bárbaros godos ameaçava dominar o território. O povo de Ampezzo, quase desarmado, conseguiu parar as tropas inimigas e a vitória foi interpretada como um novo sinal de Nossa Senhora da Defesa. No início do século XXI, uma catequista trouxe da Itália um quadro com a imagem da Santa para São Paulo e em setembro de 2003 os devotos paulistanos dedicaram a ela uma igreja. Os fiéis costumam recorrer à santa pedindo proteção contra a violência existente nas grandes cidades. Comemora-se o dia de Nossa Senhora da Defesa em 18 de Setembro. Oração: "Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à Vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu seguro no vosso manto santo e me refugio debaixo dele para estar guardado, seguro, e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada, afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje, e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Amém. Rezar em seguida um pai-nosso, uma ave-maria, e dar glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo."
PARA NÃO ENTRAR EM CHOQUE COM A NATUREZA:
SEM SILICONE E SEM CASAMENTO:
SIMPATIA DE ANO NOVO PARA PROSPERIDADE: Limpeza da Casa Depois do Velório: Ainda hoje nós verificamos o costume de algumas famílias de velar o morto na residência. Diz a tradição que, após a retirada do caixão e a saída do cortejo rumo ao cemitério, deve-se varrer a casa toda, em direção à porta da frente da casa, varrendo tudo para a rua, ou seja, mandando embora todo resquício da Dona Morte... (Contribuição da Sra. Ivone Igarashi, da AEPTI) Simpatia perigosa para violeiro: A senhora Inês Simões Barbosa, presidente da AEPTI, contou que o povo acreditava na eficácia do guizo de cascavel para melhorar o som do violão. Antigamente, o pessoal topava com muitas cobras nos pastos... até cascavel! Gente com mais sorte não encontrava a cobra, mas o guizo dela. Se a pessoa tocava violão, colocava o guizo dentro do instrumento, que passava a ter um som mais suave e melódico. Simpatia perigosa para passar de ano: As crianças que viviam pelos pastos e pelos quintais cheios de árvores da Itatiba antiga, quando encontravam a casca de uma cobra, ficavam felizes! É que se acreditava que a pele que as cobras trocam no decorrer de suas vidas dá sorte para os estudantes: eles colocavam aquela pele, que mais parece plástico, dentro do caderno, bem na parte onde estava a matéria mais difícil, que eles não conseguiam aprender. De acordo com a crença, o aluno passava de ano. (contribuição da Sra. Maria Inês Simões Barbosa).
Benzimento para "Ramo de Ar": Os antigos falavam muito nesse tal "Ramo de Ar", que era um reflexo de sol ou de luz que pegava em cheio no rosto de alguém, causando uma sensação de mal estar que, geralmente, terminava numa enxaqueca que poderia durar dias.
Benzer Susto: Antigamente, as mães e avós tinham um instrumento poderoso não só para cuidar da nutrição da família, mas também para proteger seus entes queridos contra o mal: o fogão de lenha. Quando uma criança levava um susto ou não conseguia dormir à noite, era levada para junto do fogão e devidamente benzida com brasa. A fórmula podia variar, mas geralmente era esta: falava-se o nome da criança assustada e, em seguida, dizia-se "eu vou te benzer", com bastante confiança. Pegava-se uma brasa do fogão, com o auxílio de algum instrumento para não queimar as mãos, e jogava-se a brasa dentro de um copo com água. Se a brasa subisse era porque a criança não estava assustada e a manha dela era de birra mesmo. Benzimento contra a Dor de Barriga: Esta fórmula era usada principalmente com crianças. A benzedeira fazia o seguinte: Colocava uma das mãos na altura da boca do estômago do doente dizendo "São Martim deitado". Colocava então a mão na cintura do doente continuando a recitar: "Sur la somente, benza teu male". E, finalmente, a benzedeira dizia: "Cura esse ventre", descendo a mão ao ventre do doente. (Contribuição da família Polessi - Bairro da Ponte). Benzimento contra a Dor de Cabeça: A benzedeira e a pessoa com dor-de-cabeça deveriam rezar um pai-nosso e uma ave-maria, em seguida, a benzedeira colocava três galhinhos de arruda dentro de um copo de água, que era colocado no topo da cabeça do doente. A benzedeira então dizia: "Com que eu tiro o sol? Com água da fonte, ramo verde do monte." E retirava os galhinho de arruda de dentro do copo, batendo levemente com elas na testa e na cabeça da pessoa. (Contribuição da família Polessi - Bairro da Ponte) Para curar susto de criança - Esta é outra versão do benzimento com brasas. Contribuição da senhora Maria Inês Simões Barbosa, da Associação dos Escritores, Pintores, Poetas e Trovadores de Itatiba. Quando uma criança estava assustada, pegava-se uma caneca de ágata. Podia até ser de outro material, mas as benzedeiras preferiam as de ágata. Colocava-se água (temperatura ambiente) dentro dela e jogava-se 3 brasas na água. Logo em seguida colocava-se um prato sobre a boca da caneca e era preciso virá-la de uma vez, como quando queremos desenformar um bolo. A caneca ficava de cabeça para baixo dentro do prato. E a água da caneca não podia ser derramada. Então, para finalizar a simpatia, era preciso fazer uma pequena cruz com palha. A cruz era colocada sobre o fundo da caneca e todo o material era deixado no mesmo lugar por 7 dias. Quando o período terminava, jogava-se a água fora (podia ser no quintal), com brasas encharcadas e tudo.
Para as mães de recém-nascidos não pegarem friagem - Novamente lembramosque todas essas receitas caseiras eram adotadas numa época em que era difícil conseguir um médico. Estamos publicando esses relatos pelo seu valor como folclore, não para que ele seja utilizado para fins medicinais, o que pode acarretar até problemas ainda mais sérios, porque não estamos publicando aqui as dosagens que eram utilizadas, nem temos provas de que realmente funcionavam. E também não sabemos se ocorriam efeitos colaterais. Simpatia para fazer a criança andar: Dona Josefina Maria de Jesus Almeida, Dona Zefina, morava no bairro do Corintinha e era procurada por muitas mães que levavam seus bebês para que ela aplicasse uma simpatia que, segundo se dizia, ajudava a criancinha a perder o medo de andar. Funcionava da seguinte forma: Dona Zefina pegava a criança nos braços e suspendia o bebê sobre um pilão, um pilão grande e simples, dos que se usava para socar café e grãos. Com cuidado, ela baixava e erguia a criança sobre o pilão três vezes, como se a criança fosse o socador, mas com movimentos mais lentos. A simpatia era repetida por três sextas-feiras. Depois do benzimento, dona Zefina colocava a criança no chão e vinha caminhando atrás dela, passando a vassoura pelo piso com o intuito de "cortar" as influências negativas, dizendo: "-O que eu corto?" e a mãe da criança deveria responder: "- O medo". Isso era feito mais três vezes. Dona Zefina era conhecida também como "Vozica" pelos familiares. Muita gente do bairro certamente se lembra dela. Atualmente, o pilão se encontra na casa de parentes de Dona Zefina, no Harmonia. A história é contribuição das famílias Crivelari e Almeida.
Reza contra os problemas dos olhos: Esta oração é dirigida à Santa Luzia (ou Santa Lúcia). A jovem viveu por volta do século III d.C. e, segundo a lenda, era filha de uma família italiana abastada, que lhe deu uma sólida formação cristã. Era tanta a sua vocação a Deus que queria dedicar sua vida a Ele. No entanto, o pai da jovem faleceu e a mãe queria vê-la casada com um rapaz de outra família também influente, mas pagã. Há versões diferentes para a história. Algumas contam que quando descobriu que a moça seguia a doutrina de Cristo, o rapaz que era apaixonado por ela a denunciou. Ela foi presa e martirizada. Seus olhos foram arrancados pelos algozes. Outras versões contam que Luzia, apesar de se negar a casar com o pretendente, continuava sendo perseguida pelo rapaz. Numa ocasião, o moço teria dito que o olhar de Luzia o havia enfeitiçado. A própria Luzia teria, então, arrancado os olhos e enviado para o rapaz, mandando dizer que preferia viver cega a quebrar os votos feitos a Deus e que, se eram os olhos que o haviam feito perder, que ficasse com eles.
Vem Santa Luzia,
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